Isaac, Antom Santos e o sentido prático

Luís Seoane López, Ramón Otero Pedrayo, Xosé Rey Romero e Isaac Díaz Pardo.
Visita ao Museo Carlos Maside (Sada 1971)

A colaboración de hoxe chega da man de Antom Santos, escritor e xornalista que forma parte do consello de redacción do portal galizalivre.com. Este doutor en historia contemporánea sinala que fica "Encantado de participar dumha iniciativa que recupera a memória da nossa afirmaçom nacional, e em particular dumha pessoa que trabalhou, em campos mui diversos e nas circunstáncias mais adversas, por umha causa nobre".

A xeito de manda, Antom achega un texto que bebe -no fundamental- dunha entrevista que lle fixeran a Isaac Díaz Pardo por volta do ano 2000. Nesta contribución vemos a relación de Isaac con Castelao, as súas ideas, as súas teimas, a súa desesperación e a súa valentía. Por isto, non cómpre parafrasear este marabilloso texto, senón entregalo na súa integridade para que a persoa lectora o vaia debullando devagar. De seguro ha bater con aspectos ben interesantes que se deben ter presentes.

A nós só nos resta agradecer esta magnífica participación de Antom... Saúde e conservemos a memoria daquelas persoas que nos precederon!!


Sentido prático, longo fôlego

Castelao
Numha entrevista no ano 2000, Díaz Pardo recordava, entre divertido e arrependido, como insultara a Castelao nos locais da imprenta ‘Nós’ de Anxel Casal na década dos 30. Isaac era um adolescente e militante das Juventudes Socialistas Unificadas, e o de Rianxo parecia-lhe demasiado moderado. ‘Já se sabe que umha pessoa de 16 anos é mais revolucionária que umha pessoa de 43’, concluira Díaz Pardo. Nom estamos dacordo com esta valoraçom, e imos aproveitar esta diferença para encetar esta pequena homenagem que se nos pede. Isaac, que polo que sabemos praticou a modéstia verdadeira e manifestou antes de morrer ‘que nom queria ser ascendido a nenhum altar’, possivelmente se sentisse a vontade com esta focagem sincera e longe de todo formalismo.

Com 16 e 17 anos, a promoçom política à que pertenço partilhava em boa medida o ánimo aceso do próprio Díaz Pardo jovem. E por isso mesmo, nom contemplava o galeguismo clássico com demasiada admiraçom. Tampouco ao próprio Isaac veterano. Preocupados com a pureza dos princípios, nom dedicávamos nenhum interesse a um galeguismo cultural prudentemente distanciado da política, de programa difuso e vontade abrangente, que procurava simpatias à esquerda, à direita e ao centro; tampouco simpatizávamos em absoluto com essas frequentes declaraçons de imprensa, também recorrentes em Díaz Pardo, que riscavam o arredismo de utopia. Mais ainda nos enfurecia que se enxalçasse o papel do rei espanhol no que chamavam ‘transiçom modélica’. Bem é certo que por vezes captávamos certos contrapontos chamativos neste discurso do galeguismo transversal, que rachavam com muito o miserável consenso da Galiza autonómica. Quando ainda nom estava na moda, Díaz Pardo defendia em meios de grande tiragem a unidade da língua galego-portuguesa ; vindicava o silenciado Reino da Galiza ou, debruçando na actualidade, denunciava que o nosso país era umha ‘colónia’ cuja riqueza engordava arcas alheias. Outros pensadores, com o mesmo alcanço mediático e as mesmas possibilidades de expressom, nom se atreviam a dizer nem a metade nos meios do amo, temerosos de perderem a dose de penso que corresponde a todo intelectual servil.

Dizíamos que mantemos umha profunda diferença com aquela valoraçom de Isaac sobre os fervores revolucionários juvenis. Entendemos que as firmes conviçons nom pertencem a nenhuma idade e tencionamos, o melhor que podemos várias décadas depois, manter viva a lealdade arredista que abraçamos nos nossos primeiros tempos. Podemos, porém, conceder certa razom à reflexom dum homem com tam dilatada trajectória : e reconhecer que, se a ideologia nom tem porque mudar, si o deve fazer o juízo sobre os feitos e as pessoas que nos rodeam.

Com a passagem do tempo, concedemos menos importáncia às etiquetas político-ideológicas da gente, que em nom poucas ocasions nom passam de ser umha fasquia bem superficial dos indivíduos ; e reparamos com maior cuidado em atitudes, em tons, em projectos de longo alento e filosofias sobre a vida. Desta óptica, o Isaac Díaz Pardo que hoje contemplamos nom é o mesmo que, de maneira bem sesgada, interpretávamos na nossa adolescência. Certas raras virtudes, ainda mais infrequentes na Galiza, fam-no merecedor dum posto de destaque no melhor da nossa memória colectiva.

Padecendo o selvagismo da repressom na sua versom mais extrema -o assassinato dum pai, o ostracismo, e o esfarelamento do projecto familiar- nunca exerceu o vitimismo. Sabia que padecer umha injustiça nom dá jamais maior valor moral, nem justifica maiores atençons, nem legitima passar toda umha vida exibindo cicatrizes e traumas. Em toda a sua longa vida adulta, levou dignamente tal condiçom, com sobriedade, quase em silêncio, e trabalhou pola memória dos mártires com a noçom de máxima efectividade e pragmatismo : fazendo possível umha valiosa colecçom de obras que detalham, ponto por ponto, o passo de ‘Atila na Galiza’.

Num país que tantas vezes frustra os seus projectos de futuro em planos fantasiosos, divagaçons sem apoiatura material e autojustificaçons mesquinhas da própria incapacidade, Díaz Pardo foi eminentemente um homem prático, um realizador. Colaborou com todos mas nom aguardou por ninguém ; sofreu, mas procurou nom exibi-lo demasiado (‘a vida continua’, dixo em várias ocasions quando falavam do assassinato do seu pai) ; soubo que todo sucesso, e nomeadamente o ‘político’ (no seu sentido nom partidário) tinha o seu último segredo no trabalho férreo, sem perder o fôlego, e numha visom longa, de amplos horizontes. Tivo sempre claro que se a palavra ou o debuxo tenhem o potencial de conservar o que amamos, e também de transformar o mundo para melhor, é porque por trás deles há umha engrenagem económica, material, logística e organizativa, que a fai circular e chegar ao coraçom das pessoas.

Em todo o seu labor há também, pensamos, umha consciência nom revelada dumha grande ameaça que pom em risco a nossa terra: a passividade e a indolência. Sendo como som de fortes as elites renegadas que blocam o nosso desenvolvimento colectivo, Díaz Pardo era ciente de que um estado de ánimo derrotista e negativo contribuía como nenhuma outra cousa aos nossos infortúnios. Quando lhe perguntárom se o seu projecto jornalístico independente ‘Galicia’, nom fora para a frente por causa de boicotes institucionais, respondeu que tal cousa nom fixera falta : ‘na realidade, as cousas que escrevo eu em meios de grande tiragem, aliás escritas em galego, nom interessam a ninguém.’

O bloqueio terrível da negligência, a irresponsabilidade colectiva, a falta de interesse polo que em nós é mais valioso e digno de defesa, frustrárom muitos empenhos colectivos na Galiza, e precisamente o fim da vida de Isaac estivo marcado por conhecidas desavinças empresariais que se originam ao cabo nesta atitude funesta. Se fosse um de muitos, laiaria-se, elaboraria umha lista de aldragens e passearia a sua frustraçom por todos os recantos. Mas a sua essência era outra : ‘há que aguantar’, gostava de dizer. E para ele aguantar foi trabalhar, trabalhar e trabalhar, com a ‘Galiza como tarefa’ que escreveu o seu amigo Paz Andrade. Por estas raras virtudes, que possivelmente se forjárom na noite do fascismo e soubérom aguantar em contextos políticos cambiantes, hoje o país comemora este homem numha unanimidade digna de mençom.

Antom Santos


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